Usp estuda gene protetor contra a microcefalia

A microcefalia tem chamado muito a atenção da sociedade pelo fato de muitos casos estarem relacionados ao zika virus - que é transmitido por meio da picada do mosquito Aedes aegypti. De acordo as informações coletadas até agora a mulher que teve zika corre risco de ter bebes com microcefalia que é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança é significativamente menor do que a de outras da mesma idade e sexo. 

Depois do relato de nascimento de gêmeos em que apenas um dos bebes nasceu com microcefalia está sendo realizado um estudo, pois segundo especialistas da USP pode ter genes que protegem ou facilitam essa má formação. 

 A diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-tronco da USP e professora de genética do Instituto de Biociências da universidade, Mayana Zats, o fato de uma mulher com gestação de gêmeos ser contaminada pelo zika vírus e apenas um dos bebês desenvolver a má-formação pode indicar que alguns tenham predisposição genética ou proteção para a microcefalia.

O grupo de Zatz já recebeu  até agora relatos de três casos de gêmeos discordantes - em que apenas um tem microcefalia. Um dos relatos, da dona de casa Jaqueline Jéssica de Oliveira, de Santos, foi revelado pelo estado em janeiro. Os outros dois foram descobertos por pesquisadores de Pernambuco e da Bahia.

"Acreditamos que existam muitos outros registros do tipo e estamos atrás deles. Considerando que a prevalência de gestação de gêmeos é de uma em cada cem e se já temos 4 mil casos suspeitos de microcefalia pelo zika vírus, teríamos cerca de 40 nascimentos de gêmeos no meio desses casos", afirma a pesquisadora.

Com base na identificação dos casos, os geneticistas vão comparar o genoma dos dois gêmeos e dos pais para verificar se há algum gene ligado à microcefalia diferente em uma das crianças ou ainda se o zika vírus tem o poder de "silenciar" um gene que poderia evitar a má-formação. Vão ainda analisar se pode ter sido um fator hereditário o causador da microcefalia - e não a infecção por zika.

Com a pesquisa realizada em gêmeos, o grupo de Zatz passou a integrar a força-tarefa de pesquisadores paulistas contra o zika vírus. Batizado de Rede Zika, o grupo coordenado pelo virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, é composto por 25 laboratórios e cerca de 300 pesquisadores.

O grande desafio é com relação ao custo da pesquisa "Estamos atrás de financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e em contato com um grupo da Inglaterra que se interessou pelo projeto. De qualquer forma, já vamos iniciar a realização de exames nas mães, nos pais e nos bebês, até porque esse material pode ficar armazenado até o início da análise", explica.

Além do estudo dos casos dos gêmeos, a pesquisadora afirma que pretende avaliar o genoma de cem crianças nascidas com microcefalia e outras cem sem a má-formação em áreas de grande disseminação do zika. O prazo para os primeiros resultados ainda não está definido. "Vai depender muito do que encontrarmos na análise dos genomas."

Os médicos e cientistas de outros estados que tenham conhecimento de casos de gêmeos discordantes na microcefalia podem informar o grupo de pesquisa da USP pelo e-mail mayazatz@usp.br.

Fonte: Estadão e ajustes blog informação em Destaque

03/02/2016 às 12:00 Brasil Nenhum comentário
Alyne Cervo

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